Como aprender uma língua a ler
Ler na língua que está a aprender é a maior quantidade de material linguístico real que consegue obter num dia. O que trava a maioria não é a leitura, é o custo de cada consulta ao dicionário. O pimReader foi feito para que essa consulta não custe nada e para que as palavras consultadas entrem num plano de revisão que as traz de volta.
Ler é a forma mais barata de encontrar uma língua em quantidade. Um romance dá-lhe dezenas de milhares de palavras em contexto, numa ordem que prende a atenção, e de graça. Nada mais — nem um curso, nem uma aplicação de exercícios — se lhe aproxima em pura quantidade de material.
A razão pela qual a maioria de quem aprende não lê não é a leitura. São as interrupções. Cada palavra desconhecida significa sair da página, procurar um dicionário, encontrar de novo o seu lugar. Vinte vezes por página, e desiste.
Tudo o que se segue é sobre retirar esse custo e depois fazer com que cada consulta sirva para alguma coisa mais tarde.
Leia o que leria de qualquer forma
Comece por material que escolheria na sua própria língua: um romance de que já gosta traduzido, as notícias que segue, um blogue sobre o seu trabalho. O pimReader lê EPUB, PDF, TXT, HTML e Markdown, e traz artigos de feeds RSS e Atom.
Escolha por interesse, não por nível. É o interesse que o leva através dos primeiros capítulos lentos; uma «leitura graduada» que não lhe interessa será abandonada à décima página. Se o material for demasiado difícil, as ferramentas de vocabulário mais abaixo dir-lho-ão — veja Saiba onde está.
As palavras desconhecidas são traduzidas acima da linha

Abra o livro e leia. As palavras que não conhece trazem uma pequena tradução impressa mesmo por cima, na linha. Continua a ler; o significado chega quando precisa dele.
Quando a glosa não chega, toque na palavra. A entrada do dicionário abre-se onde está — a entrada completa, com a página ainda por baixo — e fecha-se de volta no mesmo sítio. Selecione uma expressão inteira e todas as suas palavras são traduzidas em conjunto, para que uma expressão idiomática se leia como um todo e não como as suas partes.
Quando o problema é a frase inteira e não uma palavra, toque em Mostrar tradução: o painel ao lado da página mostra uma tradução do trecho que está a ler, e volta ao dicionário com um toque.
A regra: não consulte tudo. Consulte uma palavra quando já a encontrou três vezes, ou quando a frase se desfaz sem ela. Tolerar alguma ambiguidade é uma competência que treina de propósito, e é ela que lhe permite ler depressa.
Saiba onde está
O pimReader acompanha que palavras já sabe. Marque uma palavra como conhecida e deixa de ser glosada. Ao fim de umas semanas fica um retrato claro: as palavras glosadas são as que ainda lhe faltam, e todo o resto já é seu.
Estima também o tamanho do seu vocabulário face a uma lista de frequência. Esse número responde a uma pergunta que quem aprende costuma adivinhar: este material serve para mim? Se numa página estiver glosada mais de uma palavra em cada dez, o texto é demasiado difícil para leitura de prazer — guarde-o para sessões de estudo e leia algo mais fácil para ganhar quantidade.
Guarde as palavras que vale a pena guardar
Quando uma palavra merece ser lembrada, marque Memorizar. O cartão é escrito por si, a partir da frase onde encontrou a palavra, e fica arquivado sob o livro. É esse todo o passo de criação; custa um instante.
Depois é o plano que assume. O pimReader usa o FSRS, um algoritmo de repetição espaçada que modela a que velocidade você esquece cada palavra e a traz de volta mesmo antes disso. Cada revisão oferece quatro classificações — Novamente, Difícil, Bom, Fácil — e cada botão mostra o intervalo que vai fixar, portanto vê a consequência antes de escolher.
Seja seletivo. Acrescentar todas as palavras desconhecidas é o erro clássico do principiante e produz uma fila de revisões que virá a temer. Acrescente uma palavra se for frequente, ou se continuar a encontrá-la. Cinco a dez palavras por sessão de leitura é bastante. Voltará a encontrar as outras se elas contarem.
Use as palavras em frases
Reconhecer uma palavra na página não é o mesmo que saber usá-la. Abra Prática e escolha um modo:
- Desenvolver fluência — frases de exemplo ao seu nível, construídas com as suas próprias palavras
- Memorizar palavras — expressões curtas feitas para que uma palavra se fixe
- Praticar diálogos — uma conversa, linha a linha, em que participa
As frases são geradas a partir das palavras que está a aprender e ao nível que definir, por isso o vocabulário do capítulo de terça-feira aparece em frases que poderia mesmo vir a dizer. Dez minutos disto depois de uma sessão de leitura convertem o reconhecimento passivo em palavras que consegue produzir.
Diga-as em voz alta
Ler constrói reconhecimento; falar é uma competência à parte e só melhora falando. A prática de fala conduz uma sessão inteiramente falada: pergunta, você responde em voz alta, e o que acerta ou falha volta ao mesmo plano de revisão. Para as palavras que continua a pronunciar mal, a avaliação de pronúncia mostra o que lhe foi pedido dizer, o que foi ouvido, e a sua frase corrigida.
Comece isto na primeira semana, quando souber quarenta palavras. Vai ser curto e desconfortável. Quem espera por «saber o suficiente» para falar espera para sempre.
Uma rotina que se aguenta
- Leia 20 a 30 minutos por dia. Material a sério, glosado. Consulte pouco.
- Acrescente 5 a 10 palavras do que ler. Não mais.
- Reveja 2 a 3 minutos por dia. O FSRS mantém isso assim tão pequeno.
- Pratique ou fale 10 minutos, duas vezes por semana, usando as palavras que acrescentou.
São menos de quatro horas por semana, e a parte da leitura é aquela que queria fazer de qualquer maneira. Ao fim de três meses terá cerca de mil palavras na fila de revisão, todas encontradas em contexto, e uma velocidade de leitura aproximadamente duplicada desde o primeiro capítulo.
Abra algo que lhe apeteça ler nessa língua e leia a primeira página com as glosas ligadas. É esse todo o começo.